Oração mental: como se faz

O cristão é alguém que mantém uma boa relação com Cristo, e a oração mental é um bom caminho para desenvolver esta relação. Neste artigo, trataremos sobre o que é a oração mental e como podemos fazê-la.

A oração mental é uma busca para saber o que Deus quer que nós façamos

É importante entender que é Deus quem inicia a oração. Ele nos convida e nós respondemos, mesmo que seja pedindo-lhe algo. Se nos convida a rezar, significa que tem algo a nos dizer. Logo, devemos nos esforçar durante a oração mental para averiguar o que é. Esta forma de rezar é, portanto, uma busca (CIC 2705). O fim desta busca é saber o que Deus quer que façamos (CIC 2706): na oração, buscamos o que Deus quer de nós.

Outro termo que podemos utilizar para oração mental é meditação. Mas não se trata da meditação oriental, cuja meta é buscar a paz e a tranquilidade. Não. A meditação cristã se centra em Cristo e no que ele quer para nós.

Oração mental não é leitura espiritual. Na leitura espiritual lemos artigos e livros que ensinam sobre a vida espiritual. Este artigo, por exemplo, é uma leitura espiritual: nos ajuda a ver o mundo numa perspectiva cristã. Meditação, entretanto, faz o que a leitura espiritual também faz, mas ela está destinada a alimentar o coração e a vontade, enquanto que a leitura espiritual alimenta a mente.

Os quatro C’s da oração mental

O padre John Bartunek descreve maravilhosamente os quatro C’s da oração mental em seu livro Una guía para la meditación Cristiana. São eles: Concentrar-se, Considerar, Conversar e Comprometer-se. Resumirei cada um deles a seguir:

Concentrar-se

Concentramos nosso coração e nossa mente em Deus, isso é a definição de oração (CIC 2559). Nos afastamos do que está passando ao nosso redor e nos colocamos em sua presença. Podemos fazer isso dizendo uma breve oração. Uma sugestão: Meu Senhor e meu Deus, creio firmemente que estás aqui, que me vês, que me ouves. Adoro-te com profunda reverência; peço-te perdão dos meus pecados e graça para fazer com fruto este momento de oração. Minha Mãe Imaculada, São José, meu Pai e Senhor, meu Anjo da Guarda, intercedei por mim.

Outra pode ser: Espírito Santo, sou um humilde servo que necessita da tua ajuda. Concede-me as graças que me faltam: a sabedoria e o conhecimento que necessito para compreender o que queres dizer-me hoje; e concede-me a fortaleza e as virtudes necessárias para fazer o que queres que eu faça.

É mais fácil concentrar-se em um lugar tranquilo, por isso Cristo sempre ia para cima de uma montanha ou a um lugar solitário. O tempo também é importante: devemos escolher um momento em que seja mais difícil de sermos atrapalhados por uma ligação ou coisa do tipo. Se há algo essencial para recordar é que Deus tem algo a nos dizer assim que nos pusermos a escutá-lo.

Considerar

Outro termo que utilizamos para chamar a Sagrada Escritura é “Palavra de Deus”. Se verdadeiramente é a Palavra de Deus, então busquemos o que ela quer nos dizer. Às vezes passamos por cima das palavras e não captamos seu verdadeiro significado. Em outras ocasiões, lemos ou escutamos certas passagens com tanta frequência que nos parecem normais e corriqueiras, e não somos capazes de discernir a mensagem extraordinária que trazem escondida. A oração mental tem a intenção de desvendar este significado.

Podemos começar lendo uma passagem da Escritura. É sugerido fazer isso de maneira ordenada. Talvez podemos ler um dia alguns versículos do Evangelho e no dia seguinte seguir de onde paramos. Esta primeira forma é boa quando se quer seguir o fluxo da Escritura de um evangelista. Outra maneira é seguir o lecionário, que traz as leituras da Missa usando um ciclo de três anos. Esta segunda maneira é boa quando se quer ler a leitura própria do tempo litúrgico. Se a fizermos durante três anos, teremos lido a maior parte da Bíblia.

Leia as passagens em oração, quer dizer, como quem quer tirar todo o suco de uma fruta. A melhor maneira de fazê-la é metendo-se na mesma cena. Entre na cena e comece a considerar: como é a atmosfera social? De que forma as pessoas estão falando? Por que alguém diria o que ele(a) disse? O que as pessoas estão sentindo? Lembre-se sempre que você está buscando averiguar qual é a mensagem de Deus a partir do que lês, e como ela se aplica a ti. Esse é o núcleo da oração mental.

Conversar

Ao ler, algo pode parecer diferente, divertido ou interessante. Pare e pense sobre isso um instante: se pergunte sobre os motivos pelo qual aquilo pareceu ser diferente, divertido ou interessante. Se te enche de admiração, então elogie a Deus. Podes usar palavras, mas também podes pensar na Sua grandeza e saber que Deus conhece o que está na tua mente. Às vezes as palavras não conseguem expressar o que necessitas dizer, e isso é bom: deixa que o Espírito Santo o faça através dos seus gemidos inefáveis (Rm 8,26). Se a passagem te enche de contrição pelas coisas que tem feito, então deixe de ler e peça perdão. Podes usar palavras, mas, por vezes, as lágrimas são tudo o que necessitas, e Cristo sabe para que servem! Se a passagem te faz rir, desfruta e agradeça a Deus por ter senso de humor. Se a passagem te enche de gratidão, então dê graças a Deus pela sua generosidade e amor incondicional.

Essas não são as únicas reações possíveis. Uma passagem certamente poderia afetar as pessoas de maneiras totalmente diferentes; poderia inclusive nos afetar de modos diversos em um momento e em outro. O objetivo é seguir considerando o que Deus quer para ti na sua situação atual. Nada nos impede de falar com Maria, com os santos e com os anjos, que estão ansiosos em ajudar-nos assim que sentir-se livres em incluí-los também.

Comprometer-se

Podes seguir, indo e vindo, entre Considerar e Conversar, essa é a forma que deve ser feita. No entanto, em algum momento terá que acabar. Algumas pessoas gostam de estabelecer um tempo. Talvez um iniciante termine em 10 minutos, que se podem ampliar em 20 ou 30 minutos a medida que se sinta mais cômodo com a oração mental. Alguns podem passar até uma hora inteira meditando, mas isso não é possível ser atingido sem prática. Talvez podes fazê-la em dois momentos de 30 minutos.

Ao final, é bom concretizar o que mais lhe chamou atenção. Poderia ser uma inspiração para fazer algo que esteja sendo adiado, ou um propósito para deixar de fazer algum mau hábito, ou simplesmente ter mais amor a Deus. Concentra-se nisso e comprometa-se no que mais lhe tocou nessa meditação. Decide-te em fazê-lo, se é algo que deve ser feito. Peça a Graça de Deus, se a necessitas. Uma boa maneira de levá-lo em prática é incluir este propósito no seu trabalho e nas suas atividades sociais deste dia ou do dia seguinte, se rezas à noite.

Seria bom finalizar com uma oração. Uma boa é: Dou-te graças, meu Deus, pelos bons propósitos, afetos e inspirações que me comunicaste nesta meditação; peço-te ajuda para os pôr em prática. Minha Imaculada, São José, meu Pai e Senhor, meu Anjo da Guarda, intercedei por mim.

Pratique a oração mental

Sabemos que não podemos ser bons em algo se não o praticamos. Os levantadores de peso não podem levantar cargas muito pesadas rapidamente. Começam com pesos leves e vão aumentando pouco a pouco. Nossa vida de oração é igual. Necessitamos rezar cada vez melhor: nossa vida de oração hoje não pode ser igual à de quando éramos crianças. Nossa vida de oração tem que ser melhor hoje do que há um ano. E só podemos fazer isso se rezarmos com frequência. O melhor é estabelecer um tempo de oração diário, como se fosse um compromisso com Nosso Senhor.

Materiais para a oração mental

Existem alguns livros que possuem comentários sobre os Evangelhos que podem nos ajudar na meditação. Esta não é a única maneira de fazer a oração mental. Podes começar com isso e evoluir à medida que cresceres na oração. Às vezes uma canção ou uma pintura religiosa podem despertar a oração, e isso é muito bom. A ideia é que não devemos deixar de rezar: isso nos lembra que somos crianças que dependem do seu Pai.

Joby Provido

Artigo original (em inglês) Catholic365

Traduzido e adaptado de Collationes

trad. Bruno de Souza Chaves Bezerra